Você sumiu, mulher, por onde você anda?
Por aí, pela vida.
Mas, por aí, onde?
(Pera lá. Eu tenho que dar satisfações a alguém?)
Por aí, ora, trabalhando, indo à toa, vindo quando quero.
Que mania é essa de, quando encontramos um conhecido, termos que dar relatório completo do que fazemos quando não estamos debaixo de seus olhos?
Isso me dá uma irritação!
Porque, determinadas pessoas, não encontram alguém e, simplesmente, ficam felizes por revê-lo?
Não! Têm que cravar de perguntas o infeliz.
Parece que querem arrancar a confissão de que a vida dele é sem graça, que falta sal no seu dia e pimenta na sua noite.
Gosto da minha vidinha e, até esse gostar, é um espanto pra eles.
É claro que gostaria de mudar algumas coisas. Arrumaria de uma forma diferente a minha bagunça interior, daria um trato nos relacionamentos, não varreria algumas situações pra debaixo do tapete e poria muito entulho no lixo.
Mas, vem cá, isso é conversa pra terapeuta! Ou tá pensando que vou contar as minhas mazelas prá virar conversa de salão de beleza?
Sai fora, nem é meu amigo!
Com amigo é diferente. Primeiro, não tem cobrança, amigo fica feliz por saber que você ainda existe e que existe pra você. Segundo, amigo que é amigo, sabe como você está, mesmo sem que te veja sempre, em alguns casos, por anos.
Tenho alguns poucos amigos que classifico como irmãos de alma, ou de cabeça. Alguns já cantaram pra subir mas continuam em mim, outros, como eu, estão por aí, indo e vindo, conforme o vento, conforme a lua.
Amigos, de verdade, vivem em um mundo paralelo onde não existe tempo, não existe distância.
Amizade é mais importante, até, do que amor. (Lógico que na amizade está contido o amor, você entendeu, né? Então, não sacrifica).
Amigo é a família que a gente escolhe, não é obrigado a fazer parte dela, como em família de sangue.
Agora, cá pra nós, tem coisa mais chata do que alguém, que você conheceu ontem, se arvorar de íntimo? Te conheço, pessoa? Tá pensando que minha vida é livro? Que vou dar noite de autógrafo pra vampiro? Amaluqueceu?
Tenho um faro, finíssimo, pra sanguessuga e paciência nenhuma pra conviver com o demo.
Vade retro, coisa ruim, volte pras trevas da sua vida!
Sou mariposa, vou em direção à luz!
Quero lá neguinho me assombrando com seus problemas?
Porque, não se iluda, o chato quer sempre puxar o seu fio pra desenrolar a meada dele.
É só dar corda que ele vai desfiar, com certeza, seu rosário.
Tá pensando que ele tá interessado em você? Neca de pitibiriba!
O que ele quer, mesmo, é que você o ouça falar por horas, que você saiba como ele é maravilhoso, apesar dos perrengues que passa. Como ele enfrenta os perigos da vida com valentia, como ferem seus sentimentos e, ainda assim, ele perdoa e vai em frente. Praticamente, um santo.
De você ele só quer confissões cabeludas, pra dar primeira página na mesa de bar.
Presta atenção,meu caro, santo eu já tenho um que mora na minha cabeceira, é mudo e não julga.
Converso com ele todas as noites e, às vezes, durante o dia.
Basta tocá-lo pra saber que vou encontrar respostas e alívio, tenho uma fé danada nele!
Ele não falha, está sempre ao alcance e não me cobra quando me afasto um pouco pra adorar outros santos. Ele sabe que eu volto com novas ideias, que fui buscar fora dele, mas mais devotada à ele.
Ele é meu melhor amigo e minha inspiração.
Enxergo melhor, agora. Ele me deu lentes de aumento. Aposentei o binóculo, parei de apreciar e comecei a participar da minha própria vida.
Ele me ensinou a não querer ter sempre razão, que o que vale é ser feliz.
Esse é meu amigão!
Ele me dá o que eu preciso e não me tira nada.
Olha aí, chatos de plantão, vou dar a dica e espero que vocês usem, com sabedoria, seus ensinamentos e que vocês possam encontrar, através dele, a inteligência de viver que falta em suas vidas.
Meu melhor amigo e santo de cabeceira, é poeta.
Seu nome é São Ferreira Gullar.
E, por favor, afastem de mim seus cálices!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
EM BRAILLE!
O. K.
Vamos começar, mais uma vez. Até quando?
Não, eu não estou brigando, não vou me exaltar, não de novo.
Qual parte do "Por favor, pare", você não entendeu?
Me diga, eu tento explicar.
Toda vez é a mesma história.
Começamos a conversa partindo da última que tivemos e, ao invés de evoluirmos, voltamos, cada vez mais, ao início da relação.
Meu amor, passado é passado, a palavra já diz tudo. Passou, não volta.
Por que, sempre que há um desentendimento, temos que rebobinar nosso filme?
Quando é que isso vai desenrolar, progredir?
Eu fico querendo saber se vai haver um final. Será que terá happy end ou será que eu morro antes do filme terminar?
Não é verdade que os problemas não mudam. Na realidade, eles não mudam porque não resolvemos.
Viciamos a tal ponto nesse erro que não conseguimos mudar o foco.
Carpinejar... Como? Quem é esse? Não é esse, é um escritor! Bem... Ele disse que "toda briga é sempre a continuação da anterior".
Tá legal, aceito o argumento. Mas, no nosso caso, começamos com a atual, vamos à anterior, e à antes dessa, e antes e assim sucessivamente. É um jogo jogado ao contrário. Rolamos os dados e não avançamos, estamos sempre andando pra trás. É um tal de "mas naquele dia você disse isso, como é que ontem você fez aquilo?, ou "em mil novecentos e bolinhas, você queria assim, hoje você quer assado", ou ainda " você está mudada, você não era assim". E qual é a novidade? Você devia agradecer por eu ter mudado. Mas eu não mudei do jeito que você queria, né? Aí, sim, seria uma coisa boa. PRA VOCÊ!
Dá pra entender que somos dois nesse negócio? Temos sociedade, somos parceiros no jogo, cúmplices no crime. Portanto, não me aponte o dedo, como se eu fosse a única responsável pelo mau andamento do processo.
A questão é que a mulher acha que vai mudar o homem e o homem acha que a mulher não vai mudar. Não pode dar certo, a equação não fecha.
Queremos o que não temos, e o que temos tentamos transformar naquilo que desejamos.
Caramba, reconheça que somos diferentes um do outro e que isso não é, necessariamente, ruim.
Eu vim com minha bagagem, você com a sua e, se botamos no mesmo armário, foi porque queríamos que desse certo.
Não, eu não disse que não deu certo, cacete! Tá, desculpe, gritei só um pouquinho, mas é que você parece não querer entender.
Será que o que é dito não faz mais sentido? Será que teremos de desenvolver uma linguagem de sinais, um braille particular, para nos comunicarmos?
Lamento mas, quando nos conhecemos, eu já era grandinha, já havia amado antes, já estava na terra, vivendo, antes de você entrar na minha vida. Não comecei a existir depois do nosso encontro.
O que você quer, afinal?
Sem essa de me dizer que não quer nada! É claro que alguma coisa você quer.
Seria, talvez, que eu anulasse meu passado? Passasse uma borracha no antes e só lembrasse do depois? Representasse uma personagem em vez de viver quem sou?
Pois tire o cavalinho da chuva, eu mudei e vou mudar mil vezes mais, POR MIM, quando eu sentir que preciso.
Não vou me moldar na sua fôrma, esquece!
O que? Você tenta se modificar por minha causa?
Pois pode parar, não estou gostando da transformação. De qualquer jeito, não vai adiantar nada. O seu diabinho vai ficar trancafiado e inquieto e, um dia, vai pular na minha frente com o dedo na minha cara, dizendo: "Eu acuso".
Tô fora.
Nunca te pedi pra ser outra pessoa, nunca esperei mudança, o que eu espero é que nos entendamos e que acomodemos nossas diferenças.
Por que você insiste em me controlar?
Ah, não é disso que se trata? Então, tá.
Então porque você me diz que eu quero provocar os outros, que minha roupa não é apropriada, que meu perfume é excessivo, que isso ou aquilo?
Olha aqui, eu estou com você porque quero e, no dia em que não quiser mais, você será o primeiro a saber.
Consegue entender isso?
Não me venha com essa história de que não tem ciúmes e, sim, cuidado comigo.
Conversa mole pra boi dormir. Quem ama, confia. E eu jamais dei motivo pra que você desconfiasse.
Seu gostar de mim está ficando torto, tá me machucando. Isso não é ter cuidado!
Se toca!
Quer dizer que amar demais dá nisso?
Não existe uma medida exata?
Tem que ser, sempre, muito ou pouco?
E, quando se ama demais, tem que se extrapolar o limite?
Sabe o que mais?
Isso não é amor, é posse. E meu terreno tem dono, no caso, dona. Euzinha e mais ninguém.
O que fazer sem mim?
O que você quer que eu responda?
Já tenho muito trabalho administrando minha vida, e você ainda quer que eu cuide da sua?
Não estamos juntos pra que um carregue o outro.
Que tal me olhar como mulher e não como sua mãe?
Percebe que é impossível você se acomodar no meu ventre e jamais ser parido?
Vamos fazer assim...
Vamos nos preparar pra terminar essa conversa. Depois, terminar a relação.
Se chorar, agora, te dou um tapa.
E se me perseguir, te dou um soco.
E se tentar o suicídio, faz direito, tente e consiga.
Vai manipular a vovozinha!
Destampei, deu!
E, no meu braille, quando eu espalmar a mão bem na sua cara, entenda:
PARE!
Vamos começar, mais uma vez. Até quando?
Não, eu não estou brigando, não vou me exaltar, não de novo.
Qual parte do "Por favor, pare", você não entendeu?
Me diga, eu tento explicar.
Toda vez é a mesma história.
Começamos a conversa partindo da última que tivemos e, ao invés de evoluirmos, voltamos, cada vez mais, ao início da relação.
Meu amor, passado é passado, a palavra já diz tudo. Passou, não volta.
Por que, sempre que há um desentendimento, temos que rebobinar nosso filme?
Quando é que isso vai desenrolar, progredir?
Eu fico querendo saber se vai haver um final. Será que terá happy end ou será que eu morro antes do filme terminar?
Não é verdade que os problemas não mudam. Na realidade, eles não mudam porque não resolvemos.
Viciamos a tal ponto nesse erro que não conseguimos mudar o foco.
Carpinejar... Como? Quem é esse? Não é esse, é um escritor! Bem... Ele disse que "toda briga é sempre a continuação da anterior".
Tá legal, aceito o argumento. Mas, no nosso caso, começamos com a atual, vamos à anterior, e à antes dessa, e antes e assim sucessivamente. É um jogo jogado ao contrário. Rolamos os dados e não avançamos, estamos sempre andando pra trás. É um tal de "mas naquele dia você disse isso, como é que ontem você fez aquilo?, ou "em mil novecentos e bolinhas, você queria assim, hoje você quer assado", ou ainda " você está mudada, você não era assim". E qual é a novidade? Você devia agradecer por eu ter mudado. Mas eu não mudei do jeito que você queria, né? Aí, sim, seria uma coisa boa. PRA VOCÊ!
Dá pra entender que somos dois nesse negócio? Temos sociedade, somos parceiros no jogo, cúmplices no crime. Portanto, não me aponte o dedo, como se eu fosse a única responsável pelo mau andamento do processo.
A questão é que a mulher acha que vai mudar o homem e o homem acha que a mulher não vai mudar. Não pode dar certo, a equação não fecha.
Queremos o que não temos, e o que temos tentamos transformar naquilo que desejamos.
Caramba, reconheça que somos diferentes um do outro e que isso não é, necessariamente, ruim.
Eu vim com minha bagagem, você com a sua e, se botamos no mesmo armário, foi porque queríamos que desse certo.
Não, eu não disse que não deu certo, cacete! Tá, desculpe, gritei só um pouquinho, mas é que você parece não querer entender.
Será que o que é dito não faz mais sentido? Será que teremos de desenvolver uma linguagem de sinais, um braille particular, para nos comunicarmos?
Lamento mas, quando nos conhecemos, eu já era grandinha, já havia amado antes, já estava na terra, vivendo, antes de você entrar na minha vida. Não comecei a existir depois do nosso encontro.
O que você quer, afinal?
Sem essa de me dizer que não quer nada! É claro que alguma coisa você quer.
Seria, talvez, que eu anulasse meu passado? Passasse uma borracha no antes e só lembrasse do depois? Representasse uma personagem em vez de viver quem sou?
Pois tire o cavalinho da chuva, eu mudei e vou mudar mil vezes mais, POR MIM, quando eu sentir que preciso.
Não vou me moldar na sua fôrma, esquece!
O que? Você tenta se modificar por minha causa?
Pois pode parar, não estou gostando da transformação. De qualquer jeito, não vai adiantar nada. O seu diabinho vai ficar trancafiado e inquieto e, um dia, vai pular na minha frente com o dedo na minha cara, dizendo: "Eu acuso".
Tô fora.
Nunca te pedi pra ser outra pessoa, nunca esperei mudança, o que eu espero é que nos entendamos e que acomodemos nossas diferenças.
Por que você insiste em me controlar?
Ah, não é disso que se trata? Então, tá.
Então porque você me diz que eu quero provocar os outros, que minha roupa não é apropriada, que meu perfume é excessivo, que isso ou aquilo?
Olha aqui, eu estou com você porque quero e, no dia em que não quiser mais, você será o primeiro a saber.
Consegue entender isso?
Não me venha com essa história de que não tem ciúmes e, sim, cuidado comigo.
Conversa mole pra boi dormir. Quem ama, confia. E eu jamais dei motivo pra que você desconfiasse.
Seu gostar de mim está ficando torto, tá me machucando. Isso não é ter cuidado!
Se toca!
Quer dizer que amar demais dá nisso?
Não existe uma medida exata?
Tem que ser, sempre, muito ou pouco?
E, quando se ama demais, tem que se extrapolar o limite?
Sabe o que mais?
Isso não é amor, é posse. E meu terreno tem dono, no caso, dona. Euzinha e mais ninguém.
O que fazer sem mim?
O que você quer que eu responda?
Já tenho muito trabalho administrando minha vida, e você ainda quer que eu cuide da sua?
Não estamos juntos pra que um carregue o outro.
Que tal me olhar como mulher e não como sua mãe?
Percebe que é impossível você se acomodar no meu ventre e jamais ser parido?
Vamos fazer assim...
Vamos nos preparar pra terminar essa conversa. Depois, terminar a relação.
Se chorar, agora, te dou um tapa.
E se me perseguir, te dou um soco.
E se tentar o suicídio, faz direito, tente e consiga.
Vai manipular a vovozinha!
Destampei, deu!
E, no meu braille, quando eu espalmar a mão bem na sua cara, entenda:
PARE!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
TÁ NA HORA DE BRINCAR
Como identificar que a velhice chegou?
Reúna alguns amigos da mesma geração e tente lembrar nomes, datas, lugares. Tarefa, praticamente, impossível. A conversa empaca nos "aquele que fez..., aquela que era amiga daquele... como é o nome dele?, naquele dia em que você disse... o que foi que você disse?". E fica aquele estalar de dedos. Até que alguém grita uma bobagem qualquer e todos caem na gargalhada.
Vasculha-se a memória procurando referências, conexões, alguma coisa que atice a lembrança. Prá piorar não lembramos mais do que estávamos falando. É uma tragédia!
Mas podemos transformar em comédia.
Minha tática é me aliar às falhas de memória. Quando tenho esses momentos de apagões, dou, logo, a deixa: "ih, tô ficando velha!", já desarmo o deboche, rio da minha situação. Neguinho ri junto e se entrega.
Não adianta remar contra a maré, tô ficando esquecida mesmo, precisando, às vezes, anotar o que tenho que fazer e, confesso, na maioria das vezes, esquecendo que anotei. Piadinha? Uma ova, é sério!
Mas, em determinadas situações, finjo que esqueci. Tenho esse direito, não estou ficando velha?
Se alguma coisa vai descambar prá um conflito, se alguém quer meu testemunho prá humilhar o outro, se a minha participação não vai fazer diferença, esqueço. De propósito.
Pode chamar de omissão, eu chamo de salvaguarda.
A essa altura da vida, não quero chateação, só quero ser feliz.
Mesmo quando um amigo do peito esteja brigando com os fatos, claramente escolhendo na memória o seu melhor retrato, deixo que ele manipule o acontecido em proveito próprio, mesmo que seja contra mim, eu finjo que esqueci.
Eu estava lá, também, e sei o que ocorreu. Mas prá que mexer no conforto dele? Não vai modificar em nada o que ele quer lembrar que aconteceu, mesmo que tenha sido diferente na minha memória.
Porque, não me engano, não se engane, ninguém lembra a mesma situação do mesmo jeito.
Memória é uma coisa engraçada. Ela é seletiva.
Quantos de nós bloqueiam o que nos faz mal, ou o que fizemos de errado?
Certa vez, estava conversando com uma amiga sobre alguns momentos que passamos juntas.
Ela lembrava de confidências que trocamos, diálogos inteiros, com tal precisão que comecei a desconfiar da minha sanidade.
E quando eu colocava a minha versão dos fatos, ela me dizia que eu estava louca, que nada daquilo tinha acontecido.
Fiquei preocupada, achei que precisava de um neurologista com urgência. Era o "alemão" que se manifestava, com certeza!
Quanto mais nos aprofundávamos naquele duelo de "quem lembra mais e quem acha que a sua lembrança é mais fiel", mais as histórias se distanciavam.
Cheguei a minha conclusão. E não é porque seja cômoda, também é, mas porque, realmente, acredito que seja a única possível: - Cada um de nós, ou seja, a humanidade, escolhe o que gravar na memória. A mesma situação é vista de maneira diferente, dependendo de quem a vive. Se tivermos uma multidão em um show, cada um vai se fixar em um ponto completamente diferente do outro, e, óbvio, vai parecer que viram diferentes shows, na mesma noite, na mesma hora, no mesmo lugar`.
É isso que a memória faz, trapaceia, nos faz crer que, aquilo que vimos ou sentimos é que é verdadeiro, o outro é um desmemoriado.
Dizem que a verdade tem três lados, o meu, o seu e o da verdade absoluta.
Agora me diz, na vida, alguém diz ou sabe a absoluta verdade? Não, né? Nem vem!
Por isso, não discuto. Quando me dizem: "Foi assim", nem me incomodo em dizer que foi assado. Como crú, sem discussão. Já não me fio na memória mesmo, então deixo como está e seremos todos felizes para sempre.
Quero paz, quero rir, brincar com o que esqueci.
Tem horas em que ouço coisas que duvido que tenham acontecido. Me digo: -"Cara....., eu estava lá, como não me lembro disso?". Mas não é porque não me lembro que não aconteceu. Pode não ter sido, exatamente, daquele jeito que foi contado, mas aconteceu daquela forma prá quem conta. E tudo bem. É assim que funciona.
É verdade que a gente só lembra do que esqueceu, mas, também, é verdade que a gente esquece de lembrar, às vezes.
Esquece de lembrar dos amigos, dos amores (alguns é melhor deletar do disco rígido, amigos e amores), daquilo que nos faz bem. Esquecemos de lembrar como é bom gostar de nós, em todas as idades, (só a morte nos livra da velhice), como é gostoso estar entre pessoas de toda a vida, brigando com a memória, rindo das dificuldades, das lembranças, tentando unir as histórias e debochando uns dos outros com carinho.
Somos nossos pais, hoje e nossos filhos, amanhã.
Estamos passando pelo que todos passaram ou vão passar, se não morrerem antes.
E, não vamos esquecer o lado bom da terceira idade. É, colegas, quem diria? Tem alguns, razoavelmente, bons.
A experiência é um deles. Os outros... esqueci.
Porque, convenhamos, eu não envelheci só prá criar rugas e pelancas, ah, não mesmo!
Cada ruga é parte integrante da minha vida, as pelancas eu dispensaria.
Procuro me manter em dia com o mundo, embora ele seja muito mais rápido do que o meu fôlego possa acompanhar, tento manter a saúde física e mental, (às vezes elas se fazem de desentendidas).
E uso as vantagens que inventaram para a minha idade, a saber: filas, e vagas para estacionamento, preferenciais, (na maioria das vezes essas filas custam mais a andar do que as outras porque, além de ser uma só caixa, ela está sendo atendida pela pessoa mais vagarosa que existe na face da terra, mas tudo bem, é o momento perfeito para exercitar a paciência e o autocontrole e as vagas são ocupadas pelos sem educação de sempre, fazer o quê?), gratuidade em alguns serviços públicos (esses dependem de pesquisa porque não há divulgação), passagem gratuita em transportes coletivos (mas existe uma cota e, geralmente, na sua vez a cota estourou), meia entrada em cinemas e teatros (oba!), e, por último, a campeã de todas, a vacina contra a gripe. Imbatível!
Velhice é um saco, ela limita, ela aumenta a idade na mesma proporção em que diminui o tempo que se vai viver.
Mas, como dizia o sábio Nelson Rodrigues, jovens, envelheçam! (Aí, desculpe a brincadeira).
Eu, que não sou sábia, digo, idosos, sejam crianças! Tá na hora de brincar!
Quem sabe não acredito?
Reúna alguns amigos da mesma geração e tente lembrar nomes, datas, lugares. Tarefa, praticamente, impossível. A conversa empaca nos "aquele que fez..., aquela que era amiga daquele... como é o nome dele?, naquele dia em que você disse... o que foi que você disse?". E fica aquele estalar de dedos. Até que alguém grita uma bobagem qualquer e todos caem na gargalhada.
Vasculha-se a memória procurando referências, conexões, alguma coisa que atice a lembrança. Prá piorar não lembramos mais do que estávamos falando. É uma tragédia!
Mas podemos transformar em comédia.
Minha tática é me aliar às falhas de memória. Quando tenho esses momentos de apagões, dou, logo, a deixa: "ih, tô ficando velha!", já desarmo o deboche, rio da minha situação. Neguinho ri junto e se entrega.
Não adianta remar contra a maré, tô ficando esquecida mesmo, precisando, às vezes, anotar o que tenho que fazer e, confesso, na maioria das vezes, esquecendo que anotei. Piadinha? Uma ova, é sério!
Mas, em determinadas situações, finjo que esqueci. Tenho esse direito, não estou ficando velha?
Se alguma coisa vai descambar prá um conflito, se alguém quer meu testemunho prá humilhar o outro, se a minha participação não vai fazer diferença, esqueço. De propósito.
Pode chamar de omissão, eu chamo de salvaguarda.
A essa altura da vida, não quero chateação, só quero ser feliz.
Mesmo quando um amigo do peito esteja brigando com os fatos, claramente escolhendo na memória o seu melhor retrato, deixo que ele manipule o acontecido em proveito próprio, mesmo que seja contra mim, eu finjo que esqueci.
Eu estava lá, também, e sei o que ocorreu. Mas prá que mexer no conforto dele? Não vai modificar em nada o que ele quer lembrar que aconteceu, mesmo que tenha sido diferente na minha memória.
Porque, não me engano, não se engane, ninguém lembra a mesma situação do mesmo jeito.
Memória é uma coisa engraçada. Ela é seletiva.
Quantos de nós bloqueiam o que nos faz mal, ou o que fizemos de errado?
Certa vez, estava conversando com uma amiga sobre alguns momentos que passamos juntas.
Ela lembrava de confidências que trocamos, diálogos inteiros, com tal precisão que comecei a desconfiar da minha sanidade.
E quando eu colocava a minha versão dos fatos, ela me dizia que eu estava louca, que nada daquilo tinha acontecido.
Fiquei preocupada, achei que precisava de um neurologista com urgência. Era o "alemão" que se manifestava, com certeza!
Quanto mais nos aprofundávamos naquele duelo de "quem lembra mais e quem acha que a sua lembrança é mais fiel", mais as histórias se distanciavam.
Cheguei a minha conclusão. E não é porque seja cômoda, também é, mas porque, realmente, acredito que seja a única possível: - Cada um de nós, ou seja, a humanidade, escolhe o que gravar na memória. A mesma situação é vista de maneira diferente, dependendo de quem a vive. Se tivermos uma multidão em um show, cada um vai se fixar em um ponto completamente diferente do outro, e, óbvio, vai parecer que viram diferentes shows, na mesma noite, na mesma hora, no mesmo lugar`.
É isso que a memória faz, trapaceia, nos faz crer que, aquilo que vimos ou sentimos é que é verdadeiro, o outro é um desmemoriado.
Dizem que a verdade tem três lados, o meu, o seu e o da verdade absoluta.
Agora me diz, na vida, alguém diz ou sabe a absoluta verdade? Não, né? Nem vem!
Por isso, não discuto. Quando me dizem: "Foi assim", nem me incomodo em dizer que foi assado. Como crú, sem discussão. Já não me fio na memória mesmo, então deixo como está e seremos todos felizes para sempre.
Quero paz, quero rir, brincar com o que esqueci.
Tem horas em que ouço coisas que duvido que tenham acontecido. Me digo: -"Cara....., eu estava lá, como não me lembro disso?". Mas não é porque não me lembro que não aconteceu. Pode não ter sido, exatamente, daquele jeito que foi contado, mas aconteceu daquela forma prá quem conta. E tudo bem. É assim que funciona.
É verdade que a gente só lembra do que esqueceu, mas, também, é verdade que a gente esquece de lembrar, às vezes.
Esquece de lembrar dos amigos, dos amores (alguns é melhor deletar do disco rígido, amigos e amores), daquilo que nos faz bem. Esquecemos de lembrar como é bom gostar de nós, em todas as idades, (só a morte nos livra da velhice), como é gostoso estar entre pessoas de toda a vida, brigando com a memória, rindo das dificuldades, das lembranças, tentando unir as histórias e debochando uns dos outros com carinho.
Somos nossos pais, hoje e nossos filhos, amanhã.
Estamos passando pelo que todos passaram ou vão passar, se não morrerem antes.
E, não vamos esquecer o lado bom da terceira idade. É, colegas, quem diria? Tem alguns, razoavelmente, bons.
A experiência é um deles. Os outros... esqueci.
Porque, convenhamos, eu não envelheci só prá criar rugas e pelancas, ah, não mesmo!
Cada ruga é parte integrante da minha vida, as pelancas eu dispensaria.
Procuro me manter em dia com o mundo, embora ele seja muito mais rápido do que o meu fôlego possa acompanhar, tento manter a saúde física e mental, (às vezes elas se fazem de desentendidas).
E uso as vantagens que inventaram para a minha idade, a saber: filas, e vagas para estacionamento, preferenciais, (na maioria das vezes essas filas custam mais a andar do que as outras porque, além de ser uma só caixa, ela está sendo atendida pela pessoa mais vagarosa que existe na face da terra, mas tudo bem, é o momento perfeito para exercitar a paciência e o autocontrole e as vagas são ocupadas pelos sem educação de sempre, fazer o quê?), gratuidade em alguns serviços públicos (esses dependem de pesquisa porque não há divulgação), passagem gratuita em transportes coletivos (mas existe uma cota e, geralmente, na sua vez a cota estourou), meia entrada em cinemas e teatros (oba!), e, por último, a campeã de todas, a vacina contra a gripe. Imbatível!
Velhice é um saco, ela limita, ela aumenta a idade na mesma proporção em que diminui o tempo que se vai viver.
Mas, como dizia o sábio Nelson Rodrigues, jovens, envelheçam! (Aí, desculpe a brincadeira).
Eu, que não sou sábia, digo, idosos, sejam crianças! Tá na hora de brincar!
Quem sabe não acredito?
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
TODA SEXTA FEIRA É VÉSPERA DE CARNAVAL
20 Mandamentos para um fim de semana.
1º) Sair para trabalhar pensando no que vai fazer à noite.
2°) No trabalho, não deixar o chefe perceber que é só o seu corpinho que está ali.
3°) Fingir que está fazendo, com competência, o seu dever.
4°) Manter o bom humor, sem exagerar na dose.
5°) Não permitir que nada nem ninguém azede seu fim de semana.
6°) Combinar, discretamente, o programa com amigos ou amores.
7°) Ao menor sinal de hora extra, passar mal ou adoecer um parente próximo.
8°) Não levar, em hipótese alguma, trabalho para casa. (Você não vai fazer, mesmo.)
9°) Não revelar seus planos a ninguém do trabalho. (Você pode precisar deles.)
10°) Sempre que possível, demonstrar cansaço e dizer que vai passar esses dias dormindo.
11º) Assim que terminar o expediente, sair de fininho.
12°) Não sair do escritório cantando de felicidade.
13°) Não começar a despir-se dentro do elevador. Ex: afrouxar a gravata, desabotoar o colarinho.
14°) Assim que pisar na calçada, começar a abrir as asas.
15°) Ao chegar ao lugar combinado, esquecer o escritório. (Lembra? Não leve serviço prá casa.)
16°) Divertir-se como se não houvesse amanhã.
17°) Mas não esquecer que o amanhã existe.
18°) Aproveitar de tudo um pouco.
19°) Mas ter cuidado com os excessos.
20°) Lembrar que a alegria de viver não custa nada. (Só pague a bebida que consumir.)
Se você não se encaixa nos mandamentos acima, das duas uma: já morreu e não sabe ou, então, é patrão.
Bom fim de semana.
1º) Sair para trabalhar pensando no que vai fazer à noite.
2°) No trabalho, não deixar o chefe perceber que é só o seu corpinho que está ali.
3°) Fingir que está fazendo, com competência, o seu dever.
4°) Manter o bom humor, sem exagerar na dose.
5°) Não permitir que nada nem ninguém azede seu fim de semana.
6°) Combinar, discretamente, o programa com amigos ou amores.
7°) Ao menor sinal de hora extra, passar mal ou adoecer um parente próximo.
8°) Não levar, em hipótese alguma, trabalho para casa. (Você não vai fazer, mesmo.)
9°) Não revelar seus planos a ninguém do trabalho. (Você pode precisar deles.)
10°) Sempre que possível, demonstrar cansaço e dizer que vai passar esses dias dormindo.
11º) Assim que terminar o expediente, sair de fininho.
12°) Não sair do escritório cantando de felicidade.
13°) Não começar a despir-se dentro do elevador. Ex: afrouxar a gravata, desabotoar o colarinho.
14°) Assim que pisar na calçada, começar a abrir as asas.
15°) Ao chegar ao lugar combinado, esquecer o escritório. (Lembra? Não leve serviço prá casa.)
16°) Divertir-se como se não houvesse amanhã.
17°) Mas não esquecer que o amanhã existe.
18°) Aproveitar de tudo um pouco.
19°) Mas ter cuidado com os excessos.
20°) Lembrar que a alegria de viver não custa nada. (Só pague a bebida que consumir.)
Se você não se encaixa nos mandamentos acima, das duas uma: já morreu e não sabe ou, então, é patrão.
Bom fim de semana.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
PASSAGEM DE VOLTA
Adoro as manhãs.
É a hora do dia em que sou minha.
Calço meu sapatinho de cristal (tênis) que já anda sem precisar dos meus pés, visto a camiseta surrada que conhece bem meu corpo (roupa nova precisa de algum tempo prá se tornar íntima), uma bermuda qualquer e lá vou eu, feliz, fazer a minha caminhada.
Preciso disso. Enquanto meus pés andam, a cabeça voa.
Resolvo todos os problemas pendentes, mesmo sabendo que, quando voltar prá casa, metade das soluções serão impossíveis de aplicar.
Mas a sensação que a endorfina liberada me dá, é ótima. Adoro!
Quando termino a caminhada, antes de voltar prá casa, costumo parar na praça dentro da Reserva.
Bebo água e sento no banquinho, tentando reter, mais um pouquinho, a abençoada endorfina.
Como, geralmente, caminho cedo, não encontro nenhuma alma ali.
Fico olhando a lagoa, respirando fundo e quase acreditando que Deus existe, embora tenha criado, também, os mosquitos.
Em um dia desses, ouvi vozes que se aproximavam mas, como a vegetação é densa, não consegui ver a quem pertenciam.
Pararam próximos ao lugar em que eu estava mas, também eles, não conseguiam me ver.
Era um casal que "discutia a relação".
Pensei comigo que eles estavam, realmente, dispostos a resolver o nó, visto que mal amanhecera.
A mulher reclamava do descaso e da ausência dele, do lugar dela que nunca era o primeiro.
O homem dizia que fazia o que era possível mas que não conseguia dar conta de tudo, que várias pessoas precisavam dele, que tinha muitas responsabilidades e que ele tentava se desdobrar prá atender a todos, inclusive ela.
( Que papo batido, desculpa esfarrapada.)
Ela dizia que nem todos precisavam dele tanto quanto ela, que largara tudo por ele, por amor e ficava muito só. Não tinha amigos na cidade e que vivia em função dele.
(Pode ser mais estúpida? Minha filha, arrume uma vida prá viver.)
Ele respondia que não podia ser responsabilizado pelas escolhas dela, que se ela havia decidido ir atrás dele que assumisse o que fez e não botasse na conta dele.
(Ponto para o rapazinho, é isso aí, arque com as consequências.)
_Quer dizer, então, que você não me encorajou?
_Eu fiz o quê?
_Você não disse que me amava?
_Eu disse que, sempre que possível, estaria com você. E amar é um sentimento que muda toda hora, varia de intensidade e, às vezes, acaba.
_Então, você não me ama mais?
Silêncio.
(Responde logo, rapaz.)
_Você ainda me quer?
Silêncio.
(Será que não ouvi a resposta?)
_Responde!
(Fala, menino, não me deixe sem ar!)
_É isso, não é? Não ama!
_Não, não amo mais.
(Ai, coitada, até prá mim foi um soco no estômago.)
Como é que é, seu bosta?
(Ih, começou a baixaria.)
_Viu? É impossível ter uma conversa civilizada com você. Se as coisas não acontecem do seu jeito, você tira o salto alto e coloca as chuteiras. Não sou obrigado a te amar e nem quero mais conviver com a sua falta de educação.
Eu fico pagando a eterna mágoa que vocês têm porque, em priscas eras, ficavam em casa, sós, esperando os homens voltarem das guerras. Esse tempo passou.
_Para de palhaçada!
_Dá prá entender porque eles preferiam ficar entre eles. Mulher é sempre complicada.
Você, Rosário, faz uma guerra por qualquer coisa.
(Tinha nome, e que nome, a mulher.)
_Eu não estou acreditando no que você está falando!
Então, você acha que eu devo ficar em casa esperando, quietinha, que você se digne a aparecer?
_Elas não reclamavam.
_EU NÃO SOU ELAS!
_Pena, quem sabe não teria dado certo? Você só reclama, é sempre a vítima, nunca vê o lado bom.
_É? E qual é o lado bom?
_Se você não enxerga, não sou eu quem vai te dizer.
_Porque não tem lado bom prá mim, só prá você!
_Pois nem prá mim tem mais, tudo é mecânico, uma chatice.
_Desculpe se eu tirei algum prazer dessa sua vidinha medíocre.
_Chega, Rô.
(A calma dele era impressionante, a voz não alterava sequer um meio tom.)
_Não chega, não, seu quatrocentão de merda.
(Opa, ele era paulistano de quatro costados. E ela estava perdendo a linha.)
_Mas não chega mesmo, seu filhinho de mamãe aristocrata falida e hipócrita!
Enchi de vocês e de seus cofres pesados, onde vocês trancam as emoções. Enchi da pose, do controle total. Enchi de nada alterar a fachada, de ser tratada como gentalha. Enchi do olhar de superior e do nariz empinado. Eu sou gentalha. Quando estou alegre, eu rio. Quando estou triste, eu choro. Quando estou desesperada me descabelo e me desmancho quando gosto de alguém. EU SOU GENTALHA!
(Ai, meu Deus, como é que eu saio daqui, o negócio não está nada bom.)
_Rô, por favor, controle-se.
_Não vou me controlar, não sou você, não tenho um botão de autocontrole, não finjo que está tudo bem. Não está, nem vai ficar!
Vou ligar prá tua mulher e prá tua santa mãezinha de cabelo azul!
(Meu queixo foi parar no pé, eu pensei que eles eram casados!)
_Vou contar quem você é e o que faz fora de casa. Vou dizer que você se deita na minha cama e faz comigo, tá entendendo, COMIGO, o que não pode fazer, nem de luz apagada, com ela.
Você não me conhece, Luiz Eulálio.
( Luiz Eulálio é bem nome quatrocentão.)
_Rosário, é você quem não NOS conhece. Elas sabem de tudo, inclusive o que fazemos na cama.
Eu e Rosário reagimos juntas, só que eu não emiti um som sequer.
_O quê? Elas sabem?
_De tudo. Você apimenta as nossas vidas. Elas esperam, ansiosas, a minha volta dos nossos encontros.
Elas gostam quando vou me encontrar com você, gostam das nossas transgressões, se alimentam da nossa aventura sexual.
(Filho de uma........ Dá um soco nele, Rosário. Conta pro porteiro, pras empregadas, pro cacete, quem é esse cretino, num instante o mundo ia saber de tudo.)
_Rosário, acabou! Você nunca foi prioridade e você sabia. Não se faça de coitadinha, não tolero isso.
E, por favor, nem tente fazer escândalo, você teria muito mais a perder. Minha família acaba com você. Faça as malas e volte prá sua terra. Eu pago a passagem de volta.
(Gente, me segura. Vou esganar esse crápula. O pior é que não podia sequer me levantar sem chamar a atenção deles.)
Luiz Eulálio saiu de cena impávido, sem um fio de cabelo fora do lugar.
Na Reserva só restou o som das cigarras e do choro de Rosário, sentada no chão, arrasada.
Sem fazer barulho, me afastei dali.
Minha manhã estava arruinada, a endorfina evaporou.
Fui prá casa pensando no que se faz por amor e por prazer.
Um predador, uma presa e duas mulheres que, no faz de conta de suas vidas, não percebem que alimentam um monstro que, cedo ou tarde, vai devorá-las.
Definitivamente, Luiz Eulálio, você é uma TRAÇA!
É a hora do dia em que sou minha.
Calço meu sapatinho de cristal (tênis) que já anda sem precisar dos meus pés, visto a camiseta surrada que conhece bem meu corpo (roupa nova precisa de algum tempo prá se tornar íntima), uma bermuda qualquer e lá vou eu, feliz, fazer a minha caminhada.
Preciso disso. Enquanto meus pés andam, a cabeça voa.
Resolvo todos os problemas pendentes, mesmo sabendo que, quando voltar prá casa, metade das soluções serão impossíveis de aplicar.
Mas a sensação que a endorfina liberada me dá, é ótima. Adoro!
Quando termino a caminhada, antes de voltar prá casa, costumo parar na praça dentro da Reserva.
Bebo água e sento no banquinho, tentando reter, mais um pouquinho, a abençoada endorfina.
Como, geralmente, caminho cedo, não encontro nenhuma alma ali.
Fico olhando a lagoa, respirando fundo e quase acreditando que Deus existe, embora tenha criado, também, os mosquitos.
Em um dia desses, ouvi vozes que se aproximavam mas, como a vegetação é densa, não consegui ver a quem pertenciam.
Pararam próximos ao lugar em que eu estava mas, também eles, não conseguiam me ver.
Era um casal que "discutia a relação".
Pensei comigo que eles estavam, realmente, dispostos a resolver o nó, visto que mal amanhecera.
A mulher reclamava do descaso e da ausência dele, do lugar dela que nunca era o primeiro.
O homem dizia que fazia o que era possível mas que não conseguia dar conta de tudo, que várias pessoas precisavam dele, que tinha muitas responsabilidades e que ele tentava se desdobrar prá atender a todos, inclusive ela.
( Que papo batido, desculpa esfarrapada.)
Ela dizia que nem todos precisavam dele tanto quanto ela, que largara tudo por ele, por amor e ficava muito só. Não tinha amigos na cidade e que vivia em função dele.
(Pode ser mais estúpida? Minha filha, arrume uma vida prá viver.)
Ele respondia que não podia ser responsabilizado pelas escolhas dela, que se ela havia decidido ir atrás dele que assumisse o que fez e não botasse na conta dele.
(Ponto para o rapazinho, é isso aí, arque com as consequências.)
_Quer dizer, então, que você não me encorajou?
_Eu fiz o quê?
_Você não disse que me amava?
_Eu disse que, sempre que possível, estaria com você. E amar é um sentimento que muda toda hora, varia de intensidade e, às vezes, acaba.
_Então, você não me ama mais?
Silêncio.
(Responde logo, rapaz.)
_Você ainda me quer?
Silêncio.
(Será que não ouvi a resposta?)
_Responde!
(Fala, menino, não me deixe sem ar!)
_É isso, não é? Não ama!
_Não, não amo mais.
(Ai, coitada, até prá mim foi um soco no estômago.)
Como é que é, seu bosta?
(Ih, começou a baixaria.)
_Viu? É impossível ter uma conversa civilizada com você. Se as coisas não acontecem do seu jeito, você tira o salto alto e coloca as chuteiras. Não sou obrigado a te amar e nem quero mais conviver com a sua falta de educação.
Eu fico pagando a eterna mágoa que vocês têm porque, em priscas eras, ficavam em casa, sós, esperando os homens voltarem das guerras. Esse tempo passou.
_Para de palhaçada!
_Dá prá entender porque eles preferiam ficar entre eles. Mulher é sempre complicada.
Você, Rosário, faz uma guerra por qualquer coisa.
(Tinha nome, e que nome, a mulher.)
_Eu não estou acreditando no que você está falando!
Então, você acha que eu devo ficar em casa esperando, quietinha, que você se digne a aparecer?
_Elas não reclamavam.
_EU NÃO SOU ELAS!
_Pena, quem sabe não teria dado certo? Você só reclama, é sempre a vítima, nunca vê o lado bom.
_É? E qual é o lado bom?
_Se você não enxerga, não sou eu quem vai te dizer.
_Porque não tem lado bom prá mim, só prá você!
_Pois nem prá mim tem mais, tudo é mecânico, uma chatice.
_Desculpe se eu tirei algum prazer dessa sua vidinha medíocre.
_Chega, Rô.
(A calma dele era impressionante, a voz não alterava sequer um meio tom.)
_Não chega, não, seu quatrocentão de merda.
(Opa, ele era paulistano de quatro costados. E ela estava perdendo a linha.)
_Mas não chega mesmo, seu filhinho de mamãe aristocrata falida e hipócrita!
Enchi de vocês e de seus cofres pesados, onde vocês trancam as emoções. Enchi da pose, do controle total. Enchi de nada alterar a fachada, de ser tratada como gentalha. Enchi do olhar de superior e do nariz empinado. Eu sou gentalha. Quando estou alegre, eu rio. Quando estou triste, eu choro. Quando estou desesperada me descabelo e me desmancho quando gosto de alguém. EU SOU GENTALHA!
(Ai, meu Deus, como é que eu saio daqui, o negócio não está nada bom.)
_Rô, por favor, controle-se.
_Não vou me controlar, não sou você, não tenho um botão de autocontrole, não finjo que está tudo bem. Não está, nem vai ficar!
Vou ligar prá tua mulher e prá tua santa mãezinha de cabelo azul!
(Meu queixo foi parar no pé, eu pensei que eles eram casados!)
_Vou contar quem você é e o que faz fora de casa. Vou dizer que você se deita na minha cama e faz comigo, tá entendendo, COMIGO, o que não pode fazer, nem de luz apagada, com ela.
Você não me conhece, Luiz Eulálio.
( Luiz Eulálio é bem nome quatrocentão.)
_Rosário, é você quem não NOS conhece. Elas sabem de tudo, inclusive o que fazemos na cama.
Eu e Rosário reagimos juntas, só que eu não emiti um som sequer.
_O quê? Elas sabem?
_De tudo. Você apimenta as nossas vidas. Elas esperam, ansiosas, a minha volta dos nossos encontros.
Elas gostam quando vou me encontrar com você, gostam das nossas transgressões, se alimentam da nossa aventura sexual.
(Filho de uma........ Dá um soco nele, Rosário. Conta pro porteiro, pras empregadas, pro cacete, quem é esse cretino, num instante o mundo ia saber de tudo.)
_Rosário, acabou! Você nunca foi prioridade e você sabia. Não se faça de coitadinha, não tolero isso.
E, por favor, nem tente fazer escândalo, você teria muito mais a perder. Minha família acaba com você. Faça as malas e volte prá sua terra. Eu pago a passagem de volta.
(Gente, me segura. Vou esganar esse crápula. O pior é que não podia sequer me levantar sem chamar a atenção deles.)
Luiz Eulálio saiu de cena impávido, sem um fio de cabelo fora do lugar.
Na Reserva só restou o som das cigarras e do choro de Rosário, sentada no chão, arrasada.
Sem fazer barulho, me afastei dali.
Minha manhã estava arruinada, a endorfina evaporou.
Fui prá casa pensando no que se faz por amor e por prazer.
Um predador, uma presa e duas mulheres que, no faz de conta de suas vidas, não percebem que alimentam um monstro que, cedo ou tarde, vai devorá-las.
Definitivamente, Luiz Eulálio, você é uma TRAÇA!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
MÃE DINÓH
Dia de luz, festa de sol escaldante e eu, com pressão baixa de tanto calor, começo a dar tratos à bola.
Culpa do sol desértico, do calor que nem um cactos suporta.
A única coisa que ainda dava sinal de vida era o cérebro.
Eu queria me movimentar mas o fogo do inferno estava tão forte que resolvi guardar energia.
Tá certo, podia passar o dia no ar condicionado mas, como não tenho "gato", a conta sempre vem e azeda o mês.
Pensei que era assim que uma planta de estufa se sentia.
Fechei os olhos na tentativa de ignorar as labaredas que me fritavam.
E surgiu, em meu delírio febril, justamente quem eu não queria que aparecesse naquele momento.
Tentei desviar, assobiar, olhar prá cima, fingir que não era comigo.
Mas a bichinha era tinhosa e insistiu em falar.
"Você pode fingir prá quem está de fora que eu não existo mas eu estou aqui e foi você quem me inventou."
Resolvi encarar o diálogo que se passava na minha pobre cabecinha suada.
Perguntei (a mim mesma?) o que ela queria? Que eu desse algum recado, passasse alguma mensagem?
Ela respondeu que não era fantasma, que sequer tinha feito figuração em "Ghost ", que estava ali porque eu ficava bestando, pensando em tantas situações tão claramente equivocadas, que ela tinha que se manifestar e botar ordem na casa, limpar as gavetas e separar o lixo.
Aqui vale uma explicação: Tenho uma personagem que criei para os momentos mais ou menos críticos da vida. Ninguém sabia disso, agora abri geral. Vai que eu fico doida e incorporo a Mãe Dinóh (é essa a personagem). Declaro que ela já existia antes de eu ver o mundo através das grades do hospício, se eu chegar à loucura.
Mãe Dinóh é a antítese da Mãe Dinah, aquela que trás o amado de volta em dias e que prevê o futuro.
Minha personagem destrincha o presente, ignora o passado (a não ser como fonte de ensinamento) e não quer saber do futuro, porque ele à Deus pertence.
Ela é dura e objetiva, não fica de conversa mole, não adoça o bico, pega o touro a unha, olha o Diabo de frente e não pisca.
Me diz o que não quero ouvir, me cutuca, me empurra, me faz tomar decisões e está sempre à espreita prá que eu não caia na tentação do "fazer o mais fácil", a não ser que tenha que ser, mesmo, fácil.
Ela assume quando eu enfraqueço, sopra meu barco quando o ar está por terminar, não deixa a peteca cair, pula e corta a bola mesmo quando estou com sapatos de chumbo.
Ela é minha conselheira e minha consciência, meu grilo falante.
Não me deixa perder tempo com o que não merece ou com quem não me mereça.
Amores perdi e achei e ela sempre me dizia:"Presta atenção, menina, trazer de volta a mesma porcaria? Sai fora e não olha prá trás. Investir e insistir no erro é burrice e você é tudo, menos burra."
Mãe Dinóh tem esse nome porque, na medida do possível, tenta desfazer os nós que vou atando na vida.
Ela faz com que eu não adie, não fuja, não ignore, mesmo quando quero fazer de conta que nada acontece.
"Acorda e enxerga, o problema não vai sumir se você fingir que não percebeu, ele só vai esperar e te atacar na próxima esquina."
Mãe Dinóh me ensinou que a vida acontece todos os dias e que não é ensaio, é prá valer, aconteceu, ficou registrado, nada vai mudar isso. Me fez ver que não tem problema errar, às vezes insistir no erro, mas ter a coragem de reconhecer e alterar. Me fez acreditar que sou única, que meus pensamentos me pertencem, que minha vida é a minha história e, assim, ser responsável por quem sou.
Em dias nublados, sujeitos a tempestade ela me socorre, me diz que o tempo vai mudar e eu vou enxergar com clareza, que eu não vou me perder na tormenta, que ela vai me achar e me conduzir de volta ao meu porto.
Sei que sou minha Mãe Dinóh, não rasgo dinheiro, portanto não estou louca.
Mas é bom contar com uma amiga que eu controlo, que mando ficar quieta quando me enche a paciência, embora eu não me dê descanso pois sei que a razão está com ela.
Eu e Mãe Dinóh nos completamos.
Como ela, não quero amores falidos, trazer de volta o mesmo problema, sonhar com passarinho e acordar com urubú.
Prefiro arrancar o dente, sentir a dor de uma vez, a ter medo, a aprender a conviver com a dor constante e ficar tentando aliviar com qualquer ilusão ou analgésico. Não me iludo, a dor não passa, se arrasta. Na na ni na não, não quero mesmo, nem mereço.
E assim o dia passou, o calor amainou (de 60º passou a 58°), a cabeça esfriou e consegui, enfim, relaxar.
Eu ou Mãe Dinóh?
Culpa do sol desértico, do calor que nem um cactos suporta.
A única coisa que ainda dava sinal de vida era o cérebro.
Eu queria me movimentar mas o fogo do inferno estava tão forte que resolvi guardar energia.
Tá certo, podia passar o dia no ar condicionado mas, como não tenho "gato", a conta sempre vem e azeda o mês.
Pensei que era assim que uma planta de estufa se sentia.
Fechei os olhos na tentativa de ignorar as labaredas que me fritavam.
E surgiu, em meu delírio febril, justamente quem eu não queria que aparecesse naquele momento.
Tentei desviar, assobiar, olhar prá cima, fingir que não era comigo.
Mas a bichinha era tinhosa e insistiu em falar.
"Você pode fingir prá quem está de fora que eu não existo mas eu estou aqui e foi você quem me inventou."
Resolvi encarar o diálogo que se passava na minha pobre cabecinha suada.
Perguntei (a mim mesma?) o que ela queria? Que eu desse algum recado, passasse alguma mensagem?
Ela respondeu que não era fantasma, que sequer tinha feito figuração em "Ghost ", que estava ali porque eu ficava bestando, pensando em tantas situações tão claramente equivocadas, que ela tinha que se manifestar e botar ordem na casa, limpar as gavetas e separar o lixo.
Aqui vale uma explicação: Tenho uma personagem que criei para os momentos mais ou menos críticos da vida. Ninguém sabia disso, agora abri geral. Vai que eu fico doida e incorporo a Mãe Dinóh (é essa a personagem). Declaro que ela já existia antes de eu ver o mundo através das grades do hospício, se eu chegar à loucura.
Mãe Dinóh é a antítese da Mãe Dinah, aquela que trás o amado de volta em dias e que prevê o futuro.
Minha personagem destrincha o presente, ignora o passado (a não ser como fonte de ensinamento) e não quer saber do futuro, porque ele à Deus pertence.
Ela é dura e objetiva, não fica de conversa mole, não adoça o bico, pega o touro a unha, olha o Diabo de frente e não pisca.
Me diz o que não quero ouvir, me cutuca, me empurra, me faz tomar decisões e está sempre à espreita prá que eu não caia na tentação do "fazer o mais fácil", a não ser que tenha que ser, mesmo, fácil.
Ela assume quando eu enfraqueço, sopra meu barco quando o ar está por terminar, não deixa a peteca cair, pula e corta a bola mesmo quando estou com sapatos de chumbo.
Ela é minha conselheira e minha consciência, meu grilo falante.
Não me deixa perder tempo com o que não merece ou com quem não me mereça.
Amores perdi e achei e ela sempre me dizia:"Presta atenção, menina, trazer de volta a mesma porcaria? Sai fora e não olha prá trás. Investir e insistir no erro é burrice e você é tudo, menos burra."
Mãe Dinóh tem esse nome porque, na medida do possível, tenta desfazer os nós que vou atando na vida.
Ela faz com que eu não adie, não fuja, não ignore, mesmo quando quero fazer de conta que nada acontece.
"Acorda e enxerga, o problema não vai sumir se você fingir que não percebeu, ele só vai esperar e te atacar na próxima esquina."
Mãe Dinóh me ensinou que a vida acontece todos os dias e que não é ensaio, é prá valer, aconteceu, ficou registrado, nada vai mudar isso. Me fez ver que não tem problema errar, às vezes insistir no erro, mas ter a coragem de reconhecer e alterar. Me fez acreditar que sou única, que meus pensamentos me pertencem, que minha vida é a minha história e, assim, ser responsável por quem sou.
Em dias nublados, sujeitos a tempestade ela me socorre, me diz que o tempo vai mudar e eu vou enxergar com clareza, que eu não vou me perder na tormenta, que ela vai me achar e me conduzir de volta ao meu porto.
Sei que sou minha Mãe Dinóh, não rasgo dinheiro, portanto não estou louca.
Mas é bom contar com uma amiga que eu controlo, que mando ficar quieta quando me enche a paciência, embora eu não me dê descanso pois sei que a razão está com ela.
Eu e Mãe Dinóh nos completamos.
Como ela, não quero amores falidos, trazer de volta o mesmo problema, sonhar com passarinho e acordar com urubú.
Prefiro arrancar o dente, sentir a dor de uma vez, a ter medo, a aprender a conviver com a dor constante e ficar tentando aliviar com qualquer ilusão ou analgésico. Não me iludo, a dor não passa, se arrasta. Na na ni na não, não quero mesmo, nem mereço.
E assim o dia passou, o calor amainou (de 60º passou a 58°), a cabeça esfriou e consegui, enfim, relaxar.
Eu ou Mãe Dinóh?
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
SAUDADES... DE MIM
A festa comia solta.
Pessoas selecionadas, aquela mistura in-fa-lí-vel, atletas, artistas, intelectuais, ricos, famosos e ...eu. Em qual categoria eu fui inserida? Qual dos grupos era o meu? Por que fui convidada?
Sempre tive esse negócio esquisito de não pertencer a qualquer lugar ou pessoa.
Não é que me sinta deslocada, socializo, me entroso, faço sala. O nó da questão é a superfície.
Sou só eu ou alguém mais acha que as relações estão rasas, periféricas, ocas?
Ultimamente, pelo que tenho observado, nada tem vida útil que ultrapasse um ou dois meses.
Não se aprofunda mais nada, não há tempo prá parar e descobrir. Não há vontade de conhecer e, talvez, gostar do que conheceu.
Viramos o coelho da "Alice no País das Maravilhas", sempre correndo atrás do tempo, com medo de perder o próximo trem que vai nos levar a felicidade seguinte.
Gostaríamos de ser onipresentes, assim não perderíamos nenhum evento, nenhuma ilusão de alegria, ocuparíamos todos os espaços, corações e mentes.
Seriamos famosos, solicitados e, ilusoriamente, amados.
E nenhum cansaço nos derrubaria porque teríamos o energético da hora prá nos animar.
Só de pensar nisso, fico exausta.
Então, no meio dessa balbúrdia, onde ninguém se ouve e, também, não tem nada a dizer, me transportei para uma ilha no meio do nada. Viajei prá dentro de mim, abstraí em vez de sair dali.
Enquanto todos queriam ser vistos eu era a única que os via, conscientemente.
Que mundo é esse? Que povo é esse? Onde querem chegar? Onde vão parar?
Uma massa uniforme, todos belos, sarados, bem vestidos, perfumados. Mas quem são, realmente, o que pensam, o que querem?
Têm sonhos, desejos, amam alguém, são amados?
Impossível conhecer suas fraquezas, inseguranças, medos, ninguém se interessaria por um ser humano. Vejo olhares trocados, avaliações puramente comerciais, sinais truncados.
Não consegui entender metade do que me falavam porque não havia diálogo e, sim, marketing.
Todos se vendiam através de lentes coloridas, eram solidários, generosos, alegres, despreocupados, abertos a qualquer coisa, todos, eu disse, TODOS, estavam de bem com a vida. Agora, pergunta se alguém ouvia o que o outro dizia? Nem por um decreto!
Estavam pensando no que dizer de interessante na próxima brecha. Ai, que cansaço!
Sou do tempo em que a gente ficava "na fossa", chorava amores perdidos, relações se aprofundavam. Do tempo em que se conhecia, pelo menos um pouco, o outro, porque interessava o que era dito.
Ouvia-se, enfim.
Não sou saudosista, não olho prá trás e meu tempo é sempre hoje mas... Cá prá nós, que buraco sem fundo é esse? Quando o umbigo vai deixar de ser o centro do universo? E, vamos combinar, ninguém é mais importante do que o outro, cada um é, pode ou deveria ser um mundo de riqueza e possibilidade. Mas se fecham num curral onde todas as espécies são iguais, onde não existe diferença.
Alô!!!!!!! Mirem-se na natureza, a diversidade é que é o must. Permitam-se, mostrem quem são, deem a cara ao soco, se necessário. Uma pancada pode ser educativa e o travesseiro vai agradecer uma cabeça mais leve que se deite nele.
Não sou especialista em nenhum assunto mas sou boa aluna e a chamada "escola da vida" ensina a quem quer aprender. Eu ainda quero e procuro espalhar o que me parece ser o ensinamento mais precioso, que me foi passado por um pai sábio: "Tudo na vida pode acabar antes do nosso fim, beleza, dinheiro, poder, tudo, exceto o que conservamos em nossa mente, isso é prá sempre."
Pessoas selecionadas, aquela mistura in-fa-lí-vel, atletas, artistas, intelectuais, ricos, famosos e ...eu. Em qual categoria eu fui inserida? Qual dos grupos era o meu? Por que fui convidada?
Sempre tive esse negócio esquisito de não pertencer a qualquer lugar ou pessoa.
Não é que me sinta deslocada, socializo, me entroso, faço sala. O nó da questão é a superfície.
Sou só eu ou alguém mais acha que as relações estão rasas, periféricas, ocas?
Ultimamente, pelo que tenho observado, nada tem vida útil que ultrapasse um ou dois meses.
Não se aprofunda mais nada, não há tempo prá parar e descobrir. Não há vontade de conhecer e, talvez, gostar do que conheceu.
Viramos o coelho da "Alice no País das Maravilhas", sempre correndo atrás do tempo, com medo de perder o próximo trem que vai nos levar a felicidade seguinte.
Gostaríamos de ser onipresentes, assim não perderíamos nenhum evento, nenhuma ilusão de alegria, ocuparíamos todos os espaços, corações e mentes.
Seriamos famosos, solicitados e, ilusoriamente, amados.
E nenhum cansaço nos derrubaria porque teríamos o energético da hora prá nos animar.
Só de pensar nisso, fico exausta.
Então, no meio dessa balbúrdia, onde ninguém se ouve e, também, não tem nada a dizer, me transportei para uma ilha no meio do nada. Viajei prá dentro de mim, abstraí em vez de sair dali.
Enquanto todos queriam ser vistos eu era a única que os via, conscientemente.
Que mundo é esse? Que povo é esse? Onde querem chegar? Onde vão parar?
Uma massa uniforme, todos belos, sarados, bem vestidos, perfumados. Mas quem são, realmente, o que pensam, o que querem?
Têm sonhos, desejos, amam alguém, são amados?
Impossível conhecer suas fraquezas, inseguranças, medos, ninguém se interessaria por um ser humano. Vejo olhares trocados, avaliações puramente comerciais, sinais truncados.
Não consegui entender metade do que me falavam porque não havia diálogo e, sim, marketing.
Todos se vendiam através de lentes coloridas, eram solidários, generosos, alegres, despreocupados, abertos a qualquer coisa, todos, eu disse, TODOS, estavam de bem com a vida. Agora, pergunta se alguém ouvia o que o outro dizia? Nem por um decreto!
Estavam pensando no que dizer de interessante na próxima brecha. Ai, que cansaço!
Sou do tempo em que a gente ficava "na fossa", chorava amores perdidos, relações se aprofundavam. Do tempo em que se conhecia, pelo menos um pouco, o outro, porque interessava o que era dito.
Ouvia-se, enfim.
Não sou saudosista, não olho prá trás e meu tempo é sempre hoje mas... Cá prá nós, que buraco sem fundo é esse? Quando o umbigo vai deixar de ser o centro do universo? E, vamos combinar, ninguém é mais importante do que o outro, cada um é, pode ou deveria ser um mundo de riqueza e possibilidade. Mas se fecham num curral onde todas as espécies são iguais, onde não existe diferença.
Alô!!!!!!! Mirem-se na natureza, a diversidade é que é o must. Permitam-se, mostrem quem são, deem a cara ao soco, se necessário. Uma pancada pode ser educativa e o travesseiro vai agradecer uma cabeça mais leve que se deite nele.
Não sou especialista em nenhum assunto mas sou boa aluna e a chamada "escola da vida" ensina a quem quer aprender. Eu ainda quero e procuro espalhar o que me parece ser o ensinamento mais precioso, que me foi passado por um pai sábio: "Tudo na vida pode acabar antes do nosso fim, beleza, dinheiro, poder, tudo, exceto o que conservamos em nossa mente, isso é prá sempre."
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